Longe da Terra

Terra luz

Eu podia esperar até o amanhecer do dia para sair de lá, mas algo me dizia: “não, fique aqui!” - eu fiquei. Para mim aquilo era tão bom, poder descansar do ar poluído da cidade, poder fechar os olhos e não pensar em nada, no relatório do dia seguinte ou na prova da semana que vem. E todo meu corpo mergulhava naquele oásis.

            Mas a mesma coisa que me disse para ficar ali, me disse para pensar em você. Eu decidi não fazer meus costumeiros questionamentos, e me deixei levar, entrei naquele sonho, no sonho maravilhoso do qual você era o protagonista, me permiti esta viajem apenas porque pensar em você era o que me desligava das coisas ruins e estressantes do cotidiano, era o que me transportava para um novo mundo no qual eu era essencial para o desenrolar dos fatos: entrei no meu mundo.

            A vida pode ser vista de um modo bem melhor quando analisamos todos os lados dos nossos problemas. No meu mundo eu fazia isso, desobedeci a coisa e pensei em alguns problemas mas com o intuito de eliminá-los. Afinal, pensei o que seria de mim se não usasse da melhor ferramenta do homem; a capacidade de pensar? Algo falava comigo de novo: “Tudo que pode te desligar daquele mundo – um feixe de luz atravessou o vazio escuro e apontou certeiro em direção a Terra – é o que você pode pensar agora!”  - Isso parecia agressivo, mas era o que eu queria, o que eu pedi. Engraçado, muitas vezes nós pedimos “algo” em um determinado momento e quando o temos, o rejeitamos e vamos em busca de outro “algo” que não temos, foi o que eu acabara de fazer.

            Eu estava ali apenas para esquecer de tudo o que me frustrava no mundo azul bem abaixo dos meus pés. Estava ali para contemplar a grandeza de toda a Criação, e ver que podia aprender algo com aquilo tudo. Estava ali para compartilhar meus problemas com as estrelas que me responderiam com um piscar luminoso. Dormi querendo uma mudança, e sempre que a desejo sou levada a um lugar novo.

            Era fácil notar a majestade do universo ali. Reparei-o com muita atenção aos detalhes não queria perder nenhum, tinha que levar algo dali. Ele brilhava muito, meus olhos ardiam, mesmo estando tão longe. Vi como que lavas de vulcão sobre sua superfície redonda, as chamas fortes lutavam entre si. Sempre haverá alguém querendo o que você quer, e podem até conseguir por um tempo, mas o que tiver que ser seu, será seu; faça sua parte lute, enquanto tiver forças, não desista. Embora aquelas lutas de chamas parecessem intermináveis elas podem acabar um dia, pois como dizem por aí: “Nem tudo é para sempre”. Não sabemos por quanto tempo o sol vai brilhar para nos aquecer e iluminar, mas sabemos de uma coisa: devemos aproveitar enquanto ainda temos isso.

            Eu não sabia por quanto tempo teria que lutar pelo meu Amor, mas eu ia lutar, e essa minha luta só acabaria quando eu percebesse que não havia mais Amor, para me aquecer, para fazer sacrifícios, para lutar! Mas o Amor não acaba! É eterno! Quando acaba, não foi Amor.

             A morte é uma coisa ruim, que nos leva da Terra para nosso “destino”, para alguns: Paraíso, para outros: Hades, eu sempre pensei nela como um bicho assombroso e de meter medo no mais corajoso marmanjo, o que acontece realmente, muita gente tem medo de morrer! Mas depois de muito pensar, eu conclui que em muitos casos a morte é a melhor saída, ela pode ser uma brisa suave sobre a nossa face e nos levar o ultimo suspiro.

 A vida é a iniciação de um Ser humano, de um futuro pensador. A morte é o encerramento dos pensamentos e dos sentidos aqui nesta Terra. Nos dois casos embora muito diferentes, vemos só uma coisa: a vida. A vida começando e a vida terminando.

            O sol começou em um tempo distante e remoto a milhões de anos atrás, quando ele foi criado, ou formado a partir de algo. Sabemos que um dia, a milhões de anos o sol pode morrer, acabar. 

E assim vamos “Ao infinito e além!”.

E assim vamos “Ao infinito e além!”.

Muitas vezes quando estamos tristes, um abraço resolve tudo. Pois o ser humano precisa sentir-se querido.

Muitas vezes quando estamos tristes, um abraço resolve tudo. Pois o ser humano precisa sentir-se querido.

As borboletas

          Quando estou caminhando para escola ou mesmo para o trabalho sempre vejo borboletas, sozinhas ou em grupo, saem batendo as asas e dançando graciosamente.

            Toda vez que as vejo sinto algo diferente dentro de mim, algo me diz: “Pode continuar… Mesmo as borboletas com asas finas e delicadas sobrevivem a tanta coisa. Por que você não pode?” Então sinto mais alegria para encarar o dia como se pudesse fazer tudo, quebrar todas as barreiras… Voar!

            Posso me sentir pequena diante de tantos obstáculos e barreiras, mas sinto que eles não são nada ao ver as insistentes borboletas voando alegremente pela cidade tão poluída e barulhenta.

O vôo

 

Quando pensei que além daquele precipício poderia haver um lugar muito lindo, com árvores altas e firmes com copas verdes e cheias, lagos limpos e belos rodeados de flores de todas as espécies e cores sortidas. Que talvez a escuridão desse lado se dissipasse quando eu estivesse do outro lado, vendo um céu muito azul com poucas nuvens e ouvindo o barulho de pássaros animados e o som das águas correndo, enfim: o canto da floresta.

Rapidamente a adrenalina envolveu-me de todo, eu senti que poderia saltar para o outro lado que não iria cair, senti aquela imagem se tornar realidade e pude ver do outro lado, antes distante e obscuro, uma luz surgindo e ouvir sons belos e harmoniosos. Eu pulei. Mas enquanto sentia a lei da gravidade, algo em mim se modificou senti como se estivesse voando, abri meus olhos fechados pelo medo do desconhecido, o medo que se formou quando pensei na distância, na altura, e na profundidade do abismo a minha frente. Eu estava realmente voando! Ah, que boa sensação! Senti-me tão leve, minhas preocupações, meu medo, tudo tinha ido! E surgiu a confiança, a alegria, a esperança.

Voar é mais fácil quando nossas preocupações e medos não existem, quando estamos relaxados. Por mais que queiramos voar, nem sempre estamos prontos, muitas vezes nós não estamos maduros o suficiente e nem com prática para tal. Você agora se pergunta como terei prática se não voar? Simples: as situações do dia a dia nos testam, e a partir delas adquirimos a experiência para nossos vôos. Algo que nos ajuda a relaxar são os sonhos. Os sonhos são uma mensagem de nós para nós mesmos, são situações que vivemos durante o dia que nos ensinam a viver os dias seguintes. Complicado, não? Mas você entenderá, nós somos tão magníficos que conseguimos fazer coisas que muitas vezes não compreendemos, a mente humana é algo esplendido, algo que só poderia ser feito por um Ser excepcional. Portanto sonhe e sinta a deliciosa sensação de alçar vôo!

Yesterday

Sem luz- Sem Sol

Era uma vez um mundo no qual não existia sol. Nem nunca se ouvira falar em dia. A luz era algo desconhecido. A todos os inexistentes cidadãos daquele mundo, era negado o brilho, o esplendor, o claro, o luminoso, e tudo o que estava relacionado ao sol.

            Neste mundo estava eu. Se sentada, deitada ou em pé eu não sabia, nem movimentos eu tinha, era como se o universo estivesse paralisado, nada eu via, foi-me negado o direito a visão e a luz, mas não o direito de pensar e sentir.

            Então como nada podia fazer além de pensar, e como o tempo parecia não existir, eu pensei na minha vida, sim eu tive uma vida. Pensei nas pessoas que mais amo, sim que AMO, esse amor é aquele que ninguém, nunca, pode apagar, esconder, destruir, esse é a matéria prima, a essência da convivência mundana. Pensei no ar, no vento, na chuva, nas arvores, nas flores, nas borboletas, nas nuvens, nas frutas, nas praias, nos animais, nas cores, nas estrelas, na lua e no Sol. Cada uma dessas coisas com um sentido diferente e próprio para mim.

            O Sol: a luz do mundo. Esse mundo que antes era apenas um corpo escuro, e cheio de abismos e que com a vinda do sol tornou-se Terra. Quem é o Sol? O Sol é o Astro indispensável das nossas vidas, o Amigo nos momentos frios e mesmo nos tempos de chuva, quando não O vemos, mas sabemos que Ele está lá, atrás das nuvens, quando é noite ele não se vai, ainda está lá, só que sua luz está refletida na lua.

            Então eu pensei nos meus versos, escritos nos raros momentos de inspiração, pensei na água tão importante, senti saudades das pessoas, mesmo aqueles que nada fizeram por mim, e que me enganaram e me traíram mesmo delas.   

            Lembrei das fotos tiradas normalmente em momentos de descontração, eu ri. Senti novamente o friozinho na barriga, de quando se aproxima Alguém (aquela pessoa). Senti como uma mágica o cheiro da comida bem temperada da minha avó, lembrei dela, doce senhora, de sentimentos puros e nunca maldosos, um Ser humano tão lindo. Pensei novamente nas fotos, nas poucas que pude lembrar, meu pai, rígido, mas engraçado na maior parte, sempre com uma bronca ou um sorriso resultante de uma gracinha. Ao seu lado minha mãe, tão inteligente, com sua seriedade, que eu sempre conseguia quebrar com meus abraços fora de hora e implicações. As meninas, minhas irmãs, tão… tão… Insubstituíveis, sempre rindo das coisas que não tem graça, e nunca das minhas piadas, sempre bagunçando minha cama e mexendo nas minhas coisas, as invasoras de privacidade mais engraçadas que já vi. Meu irmão o cara mais irritante que alguém pode imaginar e dono de muita inteligência e curiosidade sempre úteis para mim, eu tirava proveito.

            Meus amigos, minha avozinha que sempre me dava conselhos… As minhas borboletas que eu via todos os dias. Os sorrisos, os olhares com vários sentidos, mensagens, intenções…

            Eu vi! Vi uma luz, ela foi crescendo, crescendo, e se abriu o mundo, o novo mundo, pronto para explorações, aventuras, e nele tinha todo meu mundo.